A fatura do esporte de elite

Fazer esporte é saudável; mantém nosso corpo em forma e a mente também. Isso sim, os extremos não são bons. Os atletas profissionais pagam com o tempo. Forçar o corpo é tão ruim como pecar por defeito e cuidado com os atletas amadores de fim de semana. Equilíbrio e bom senso são as chaves

A fatura do esporte de eliteEFE/VICTOR ANDRADEDieta mediterrânica e da atividade física, primordiais para a saúde mental

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Somos diferentes; nossos corpos e idades são diferentes, e a maioria não somos atletas profissionais. O esporte de competição nos apaixona, geralmente, mais vê-lo pela tv, que praticá-lo, mas também tem seu preço. Queremos conhecer as particularidades das lesões que sofrem os atletas de elite e descer ao terreno do comum dos mortais que praticam esporte somente dois dias na semana. Desporto para a carta, de acordo com as nossas condições, é fundamental para prevenir lesões e isso nos fala o doutor Manuel Leis, chefe da equipe de Ortopedia da Clínica Cemtro que já trabalhou com os Cleveland Cavaliers, da NBA, o Cleveland Browns da NFL ou os Indians de beisebol.

Quais são os benefícios do esporte?

A prática esportiva é benéfica tanto para a saúde física como na saúde mental. O esporte com moderação foi demonstrado que aumenta a sobrevivência e evita muitas doenças.

O Pecamos por excesso ou por defeito?

O sedentarismo é o maior fator de risco de nossa sociedade para desenvolver doenças crônicas; de vez em quando nos deparamos com pessoas que se excedem fazendo esporte, mas no nosso dia-a-dia, deparamo-nos com pessoas que há o que fazer.

O extremo representa o esporte de competição. O que é bom para a saúde?

Não, o esporte de elite não é bom para a saúde. Mostrou-Se que os atletas de contato que fizeram um esporte de elite têm um maior índice de desgaste de quadril e joelho e também se relacionou com excessos esportivos o aumento das arritmias cardíacas. Para que o esporte começa a ser benéfico devemos praticar exercício aeróbico moderado 30 minutos por dia, durante cinco dias por semana. Se é aeróbico intenso poderíamos fazê-lo durante 20 minutos, três vezes por dia, menos que isso realmente não é benéfico.

O que o esporte representa um maior risco?

Os esportes de maior risco são os esportes de contato. O futebol americano e o boxe, são de alto risco. Em Cleveland Browns calculábamos que a cada dois partidos tinha uma cirurgia em um dos jogadores da nossa equipa. É um esporte de alta energia, muito risco e contato. Aqui os problemas são muitas; é um esporte de jogadores rápidos, pesados e de muito contato. As lesões são frecuentísimas; mudam mesmo as relações de trabalho dos jogadores com os clubes.

Onde está o limite?

Temos que distinguir entre esporte amador e profissional. O profissional se preocupa com a sua saúde, mas, muitas vezes, precede os resultados da sua própria saúde. Uma lesão que vemos com muita frequência, especialmente em corretoras de fundo, correm tanto e perder tanto peso que começam a ter distúrbios da menstruação, menorrea até mesmo osteoporose. Há muitos exemplos no mundo do esporte onde a saúde passa a um segundo plano os resultados; é complicado lidar com o atleta de elite.

Quais são as lesões mais comuns nos principais esportes: futebol, basquete, ciclismo,… ?

No futebol, as lesões musculares, rupturas fibrilares, não são graves; a mais grave é a ruptura de ligamento cruzado anterior, que pode manter o jogador afastado dos gramados por no mínimo seis meses. É muito frequente e é a causa o próprio jogador, ao virar o joelho, com o pé cravado no solo. Na Clínica Cemtro no ano passado, operamos mais de mil pacientes com esta ruptura e a maioria eram futebolistas de alto rendimento.

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Há um trabalho de prevenção para evitar essas lesões?

Sim, neste campo, os países nórdicos, sobretudo os noruegueses têm feito muito trabalho de prevenção, especialmente no handebol. É muito frequente a ruptura do cruzado e implementaram programas de modificação no salto, que diminui de forma significativa a ruptura deste ligamento. É uma lesão tão importante e incapacitante que os computadores se levam muito a sério, estuda-se muito da bota que leva o jogador de futebol, o tipo de terreno em que joga… O jogador pode recuperar totalmente após a reabilitação e voltar a jogar ao seu nível habitual.

Quais são as lesões mais comuns no basquete, com jogadores de tanta envergadura e peso?

Uma lesão muito freqüente são as lesões de tornozelo, os entorses. Me dizia um bom treinador de basquete que quando um jogador salta sabe de onde decola mas não sabe onde pousar. Sofre muito também o tendão rotuliano por tendinite por estar sempre pulando e também é frequente a ruptura do ligamento cruzado anterior.

São tão frequentes estas lesões que na época em que trabalhei no Cavaliers, antes de começar o jogo, tínhamos que fazer uma ligadura funcional a todos para evitar estes entorses; não era apenas para evitá-los, mas sim porque a companhia de seguros não se fazia cargo de lesão, se o jogador não estava usando uma ligadura funcional ou uma tornozeleira pôr. É muito freqüente e incapacitante.

O ciclismo?

Quedas, clavículas, contusões. Recentemente tivemos a oportunidade de participar no tratamento de Alberto Contador, após a queda do Tour de France, e felizmente ele se recuperou e conseguiu vencer a Volta a Portugal. É um exemplo claro de uma grande capacidade de sofrimento. Não tem nada que ver com o resto de atletas; estou convencido de que existe uma seleção natural, os que chegam a ser número um do mundo em qualquer esporte não apenas para o treinamento e habilidades superiores, mas que também têm uma capacidade de sofrimento e determinação que não são habituais.

O comum dos mortais, o esporte que devemos fazer, dependendo da nossa idade, constituição…?

A maioria das pacientes não têm claro; vemos muito “guerreiro do fim de semana”, pessoas que durante a semana está a trabalhar muito, não se prepara fisicamente e o fim de semana está sujeita a uma actividade intensa e sem preparação física. Também há muita gente que decide perder peso e se lhe ocorre que o melhor é começar a correr e correr com excesso de peso, por exemplo, desencadeia muitas lesões.

Que conselho você pode oferecer tudo o que você quer fazer esporte?

Começar por esportes de menos impacto: piscina, em seguida, bicicleta, daí a elíptica e depois a correr. Também influencia muito a idade. Vemos na consulta muito maratona que com o passar do tempo tem que reconvertirse para o triatlo; sempre fazer esporte de impacto… há um momento na vida em que as articulações passam factura. O triatlo é mais saudável para as articulações que estar o tempo todo correndo.

Andar é bom se nós caminhamos pelo chão macio e liso. A determinadas idades andar por brincos ou descer escadas pode ser ruim para a joelhos. Sim é verdade que tudo o que precisamos caminhar é bom, mas é aconselhável meia hora ou até uma hora.

E no aspecto psicológico, como nos ajuda o esporte?

Com o esporte liberamos endorfinas e nos faz sentir melhor. A percepção que temos de nossa saúde, é melhor a gente que faz esporte, mesmo em alguns pacientes melhora o seu aspecto físico e sua auto-estima. Está demonstrado que o exercício físico diminui o risco de ter depressão. Tanto a saúde física como mental se beneficiam de uma atividade esportiva.

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